sexta-feira, 23/10/2026

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Iniciativa de jovem ajuda a localizar desaparecidos após terremoto na Venezuela; incertezas sobre os danos permanecem.

Jorge Bastidas, programador venezuelano de 32 anos, encontrou uma forma de transformar sua impotência em ação após os devastadores terremotos que atingiram a Venezuela em junho. Morando na Argentina e a trabalho em Bogotá,…

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Jorge Bastidas, programador venezuelano de 32 anos, encontrou uma forma de transformar sua impotência em ação após os devastadores terremotos que atingiram a Venezuela em junho. Morando na Argentina e a trabalho em Bogotá, ele foi pego de surpresa ao receber uma ligação de um amigo alertando sobre a tragédia. A incerteza sobre o paradeiro de seus familiares o levou a cancelar compromissos e buscar informações.

Meia hora após os tremores, Bastidas percebeu que muitos estavam em busca de notícias sobre entes queridos, e foi nesse momento que decidiu criar o portal “Desaparecidos Terremoto Venezuela”. “Queria que houvesse um lugar onde as pessoas pudessem registrar relatos sobre seus familiares”, explica ele, refletindo sobre a dificuldade de comunicação que enfrentou.

Desde sua criação, o site já recebeu mais de 82.610 registros de desaparecidos, mas após um trabalho de verificação, o número de pessoas ainda sem contato reduziu para cerca de 29.486. A falta de uma lista oficial do governo venezuelano e a ausência de um canal para registrar os desaparecidos apenas aumentam a angústia das famílias afetadas. “A indignação é grande, pois o governo tem recursos, mas não age em busca de respostas”, critica Bastidas.

A iniciativa de Bastidas ganhou suporte de tecnologia avançada. Com a ajuda da inteligência artificial, ele conseguiu estruturar o site em questão de horas após os terremotos. “A IA atuou como minha equipe de programação”, conta. O portal, que enfrentou uma sobrecarga de acessos, precisou ser adaptado rapidamente para suportar o tráfego, que alcançou picos de 800 mil usuários nos primeiros dias.

Além disso, o site incorporou uma ferramenta de reconhecimento facial, desenvolvida por um laboratório de inovação mexicano, que permite comparar fotos de desaparecidos com registros de pessoas atendidas em hospitais. Essa funcionalidade se mostrou vital para ajudar na identificação de vítimas, mas não sem desafios. Daneli Hernández, advogada e colaboradora de Bastidas, mobilizou esforços para obter listas de pacientes, o que exigiu a transcrição manual de informações. “Nenhum hospital estava preparado para o volume de dados”, relata ela.

Enquanto isso, a plataforma também enfrentou o lado negativo da popularidade, como ataques cibernéticos que comprometeram informações. Bastidas e sua equipe tiveram que implementar medidas de segurança adicionais para proteger os dados. “Não podemos esperar o governo para agir. O que precisamos é de respostas e informações precisas”, afirma, determinado a continuar o trabalho que já trouxe um pouco de esperança para muitos.

Para pessoas como Alceo Angelini, que registrou seu primo desaparecido, o portal foi uma tábua de salvação. “Foi útil para nós termos um lugar onde pudéssemos registrar e saber que alguém estava nos ajudando”, diz ele, refletindo sobre a importância da iniciativa da sociedade civil em tempos de crise.