quarta-feira, 21/10/2026

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Sistema de monitoramento em São Paulo com 58 mil câmeras teve dados de acesso expostos por quase um ano

Um incidente preocupante envolvendo o sistema de monitoramento Smart Sampa, da prefeitura de São Paulo, veio à tona após a divulgação de informações que revelam um vazamento significativo de dados. As credenciais de acesso…

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Um incidente preocupante envolvendo o sistema de monitoramento Smart Sampa, da prefeitura de São Paulo, veio à tona após a divulgação de informações que revelam um vazamento significativo de dados. As credenciais de acesso a uma plataforma de segurança foram expostas na internet por quase um ano, permitindo que imagens captadas por 58 mil câmeras ficassem acessíveis de forma indevida.

O UOL foi o responsável pela revelação, que destaca que 181 logins e senhas de agentes de segurança foram expostos. Essas credenciais pertencem à empresa Sentinelx, membro do consórcio que opera o sistema. O Smart Sampa, que combina vigilância por câmeras e tecnologia de reconhecimento facial, tem por objetivo identificar indivíduos em listas de foragidos e desaparecidos, mas a situação atual levanta sérias questões sobre a segurança e a privacidade dos cidadãos.

A Sentinelx, que fornece a tecnologia utilizada no sistema, defende que seu controle de acesso é projetado para restringir informações com base nas funções dos usuários. Em resposta ao vazamento, a prefeitura atribuiu a responsabilidade a um agente da Guarda Civil Metropolitana (GCM), que teria acessado e divulgado as informações de forma ilegal. Este agente foi afastado e está sob investigação, mas o prefeito Ricardo Nunes enfatiza que não houve uso indevido do sistema, o que gerou descontentamento entre especialistas em segurança.

Pablo Nunes, coordenador do Centro de Estudos de Segurança e Cidadania (CESeC), expressou preocupação com o potencial uso indevido das informações vazadas, afirmando que isso pode abrir precedentes para vigilância indevida de cidadãos. Ele critica a resposta da prefeitura, que se exime de responsabilidades ao apontar o erro de um servidor. Para Nunes, a gravidade do problema exige uma abordagem mais robusta por parte do governo municipal.

A diretora do Instituto de Referência em Internet e Sociedade (IRIS), Fernanda Rodrigues, complementa que a situação evidencia que mais câmeras não necessariamente garantem maior segurança, especialmente quando a origem dos acessos não é clara. Ela alerta que a falta de uma cultura de proteção de dados no Brasil pode deixar os cidadãos vulneráveis a abusos.

O advogado Luiz Augusto D’Urso também destacou que o vazamento representa uma violação da Lei Geral de Proteção de Dados Pessoais (LGPD). Ele argumenta que a responsabilidade sobre a segurança e a integridade do sistema recai exclusivamente sobre a prefeitura, que deve garantir mecanismos eficazes de proteção contra acessos não autorizados.

Este episódio não apenas expõe falhas na segurança do Smart Sampa, mas também levanta questões mais amplas sobre como os dados dos cidadãos são tratados e protegidos, sinalizando a necessidade urgente de um debate mais profundo sobre privacidade e segurança na era digital.