À medida que o dia das eleições de meio de mandato se aproxima, marcado para 3 de novembro, uma nova preocupação permeia o cenário político americano: a utilização crescente da inteligência artificial na propaganda eleitoral. Embora essa tecnologia tenha o potencial de inovar a comunicação política, seu uso também levanta sérias questões sobre a disseminação de informações falsas, um fenômeno que os especialistas têm chamado de “slopaganda”.
Esse termo se refere à combinação de propaganda política com conteúdos de baixa qualidade gerados por inteligência artificial, uma prática que tem sido amplamente adotada tanto por republicanos quanto por democratas. No entanto, é notável que os candidatos e grupos vinculados ao Partido Republicano, especialmente aqueles ligados ao ex-presidente Donald Trump, têm investido mais pesadamente nesse tipo de abordagem.
Um exemplo impactante é um anúncio de Abdul El-Sayed, um candidato democrata ao Senado em Michigan, que apresenta imagens provocativas e controversas, como cartas de um jogo de tabuleiro com mensagens de ódio. Este material, financiado por um grupo associado ao senador republicano Ted Cruz, destaca a utilização de imagens geradas por IA, embora essa transparência seja uma exceção na maioria dos anúncios políticos.
Pesquisadores do Wesleyan Media Project identificaram 220 anúncios políticos que empregam inteligência artificial até o momento, mas estimativas sugerem que o número real pode ser muito maior. Entre esses anúncios, mais de 80% foram financiados por republicanos, enquanto os democratas representaram apenas 12%. As cifras são alarmantes: os gastos com esse tipo de propaganda ultrapassaram US$ 137 milhões, um salto significativo em comparação com os meros US$ 50 mil gastos em 2024.
Em um cenário onde não existem regulamentações federais que obriguem as campanhas a informar sobre o uso de IA, algumas iniciativas estaduais já tentam limitar essa prática. O senador democrata Jon Ossoff, por exemplo, expressou sua preocupação com essa tendência, alertando que o uso de IA pode corroer a integridade do debate político. Em resposta, ele pediu a retirada de um anúncio que insinuava que ele estava “maquiando” informações, um exemplo claro do potencial manipulatório da tecnologia.
A rejeição ao uso de IA nas campanhas é corroborada por pesquisas de opinião, que revelam que 73% dos entrevistados consideram essa prática inaceitável. No entanto, especialistas advertem que a mera quantidade de anúncios gerados por IA não garante sua eficácia em influenciar resultados eleitorais. Um relatório do Centro de Política Tecnológica da Universidade de Nova York sugere que esses anúncios podem ser mais eficazes para mobilizar eleitores ou arrecadar fundos, do que para realmente mudar a percepção sobre um candidato.
Em um contexto onde a saturação de conteúdo gerado por IA se torna cada vez mais evidente, a capacidade desses anúncios de captar a atenção do eleitor pode ser seriamente comprometida, levando a um cenário de confusão e desinformação que merece atenção e crítica. O desafio agora é encontrar um equilíbrio entre inovação tecnológica e a preservação da verdade nas campanhas eleitorais.



