sábado, 31/10/2026

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Queda nas ações das grandes empresas de tecnologia levanta questões sobre o futuro da inteligência artificial.

Na última quinta-feira, 29 de setembro, o mercado financeiro viveu um momento de turbulência, especialmente para as gigantes da tecnologia, que enfrentaram uma forte pressão após a divulgação de seus resultados trimestrais. A Alphabet,…

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Na última quinta-feira, 29 de setembro, o mercado financeiro viveu um momento de turbulência, especialmente para as gigantes da tecnologia, que enfrentaram uma forte pressão após a divulgação de seus resultados trimestrais. A Alphabet, controladora do Google, viu suas ações despencarem 12,64%, marcando a maior queda desde a abertura de capital da empresa em 2004. Este movimento não apenas impactou os investidores, mas também levantou questões acerca da viabilidade das massivas quantias que as empresas estão investindo em inteligência artificial (IA).

Com um investimento crescente na ordem de bilhões de dólares, é compreensível que os acionistas estejam inquietos. Segundo a consultoria Elos Ayta, a desvalorização da Alphabet resultou em uma perda colossal de US$ 493,9 bilhões em valor de mercado em apenas um dia. Para contextualizar, esse valor representa mais da metade do total de capital das empresas listadas na bolsa brasileira, que está estimado em US$ 885 bilhões.

O clima de pessimismo não ficou restrito apenas à Alphabet. A pressão se espalhou por Wall Street, levando o Nasdaq a uma queda de 2,9% e o S&P 500 a recuar 1,8%. O setor de tecnologia, em especial, foi severamente atingido, com empresas como Intel, Nvidia e AMD também registrando perdas significativas. A Intel, em particular, enfrentou um colapso de 28,6% em suas ações, o pior desempenho diário desde 1974, refletindo suas dificuldades internas que vão além do que o mercado enfrenta atualmente.

As perdas financeiras não se limitaram apenas às empresas; figuras proeminentes como Larry Page e Sergey Brin, cofundadores do Google, viram sua fortuna conjunta reduzir em US$ 60,7 bilhões. Jeff Bezos, da Amazon, também não escapou do impacto, com uma perda de US$ 9,48 bilhões. O total das perdas entre esses bilionários ultrapassou a marca de US$ 70 bilhões, o que levanta questões sobre a sustentabilidade dessas avaliações exorbitantes.

Embora os investimentos em IA estejam em ascensão, com a Amazon, Meta, Microsoft e Alphabet elevando seus gastos em infraestrutura de US$ 113 bilhões para US$ 207 bilhões em um ano, a pressão por resultados se intensifica. Para 2026, as estimativas apontam que esses quatro gigantes podem desembolsar até US$ 740 bilhões. No entanto, o retorno sobre esses investimentos ainda é uma incógnita.

Os analistas alertam que as empresas não estão apenas comprometendo seus recursos, mas também se voltando para a emissão de dívidas e ações para financiar seus ambiciosos projetos. A Microsoft, por exemplo, levantou US$ 25 bilhões, o que pode indicar um movimento crescente em direção ao financiamento externo, especialmente em um cenário de possíveis aumentos nas taxas de juros.

A discussão sobre uma possível bolha em torno da inteligência artificial está em pauta, mas especialistas concordam que a tecnologia em si é promissora. O que gera apreensão é a discrepância entre o potencial da IA e as expectativas de valorização que estão sendo impostas atualmente. O consenso é que, no futuro, a capacidade das empresas de gerar retornos reais sobre seus investimentos será mais relevante do que apenas a magnitude dos mesmos.