domingo, 18/10/2026

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Meta considera lançamento de versão sem câmera para seus óculos inteligentes

A recente introdução dos óculos inteligentes da Meta, em parceria com a Ray-Ban, provocou um turbilhão de debates sobre privacidade e segurança. Desde o seu lançamento, em 2023, surgiram relatos alarmantes de usuários que…

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A recente introdução dos óculos inteligentes da Meta, em parceria com a Ray-Ban, provocou um turbilhão de debates sobre privacidade e segurança. Desde o seu lançamento, em 2023, surgiram relatos alarmantes de usuários que utilizaram os dispositivos para assediar mulheres e meninas, filmando-as sem consentimento e espalhando as imagens pela internet. Apesar do glamour associado à nova contratada da empresa, Kylie Jenner, a reputação dos óculos continua manchada, sendo frequentemente referidos como “pervertidos” ou “sinistros”.

Em resposta às repercussões negativas, estabelecimentos como pubs, teatros e escolas no Reino Unido decidiram proibir o uso dos dispositivos. Diante desse cenário, a Meta lançou a versão Ray-Ban Meta Audio, um novo modelo que elimina a câmera e, portanto, as preocupações em torno da privacidade. Este modelo promete manter as funções de áudio, como fazer chamadas e ouvir música, enquanto oferece uma alternativa mais segura e acessível.

Embora a Meta insista que o desenvolvimento dessa versão sem câmera não foi apressado pelas críticas, muitos se questionam se essa mudança reflete uma nova abordagem da empresa em relação à tecnologia vestível. O chefe de produtos da Meta, Ankit Brahmbhatt, parece cauteloso ao responder se o novo modelo pode superar as vendas dos originais, destacando que a companhia “tem algo para todos”. Isso levanta a questão: estamos vendo um verdadeiro avanço na tecnologia ou uma tentativa de suavizar a imagem da empresa?

A experiência de uso dos óculos, mesmo na versão anterior, mostra que existe uma divisão nas percepções do público. Enquanto alguns usuários relatam receios sobre assédio e privacidade, outros encontram utilidade nas funcionalidades, como ouvir música e receber direções, sem a necessidade de fones de ouvido. No entanto, o temor de ser filmado e ter a interação exposta online persiste.

A polêmica em torno da privacidade não se limita aos usuários, mas também provoca reações na sociedade. A empresária Liz Hunter, por exemplo, lançou uma petição pedindo regulamentação para esses dispositivos, argumentando que eles invadem a privacidade e os direitos das mulheres. Por outro lado, algumas inovações tecnológicas estão surgindo, como o aplicativo ZuckOff, que alerta os usuários sobre a presença de óculos com câmera nas proximidades.

Enquanto as preocupações com a privacidade aumentam, outras empresas continuam a explorar o mercado de óculos inteligentes. A HTC, por exemplo, introduziu um modelo que desativará a câmera caso alguém próximo peça. Essa abordagem poderia representar uma tentativa de encontrar um meio-termo entre a inovação tecnológica e a segurança pessoal.

No final das contas, a questão que se coloca é se a introdução de versões sem câmera é um retrocesso ou um passo estratégico para redefinir a norma social em torno do uso de tecnologia vestível. O futuro dos óculos inteligentes pode depender não apenas da aceitação do público, mas também da capacidade das empresas de abordar as preocupações legítimas sobre privacidade de forma eficaz e responsável.

Crédito da imagem: Óculos inteligentes da Meta